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O meu olhar sobre o mundo

Arquivo para Setembro 5th, 2004

Rio

Publicado por mauromars em Setembro 5, 2004

Rio que corres debaixo da ponte, que novidades me trazes da nascente? Será que passaste pelo meu amor? As tuas águas correm com rapidez imaginária pelo batimento acelerado do meu coração.
Olho para ti e vejo uma imagem que me invade a alma, comanda o coração e irriga todas as artérias do meu corpo. Fluxo sensível à brisa que corre, sinal de mau presságio, mas a minha mente ignora-o, para quê ver o coração com mais uma ferida aberta, sim, mais uma que se junta a outras que outrora se abriram, mas o tempo se encarregou de dolorosamente fechar.
Vivo uma sensação estranha que pensei de apenas uma ilusão se tratar; ilusão seguida de sensação, ou não, pois é instantânea.
Um aglomerado de sentimentos perenes habitam dentro de mim e, dia após dia, aumentam em número e em intensidade.
Momento sentido de sua ausência, imaginando-nos juntos a ver as tuas águas correr para o mar imenso. Tentei colmatar este sentir com a tua companhia, mas o teu ruído eu não entendo; não sei se um conselho me tentas dar.
Preferia o teu silêncio, apesar do ruído me tranquilizar. O seu não entendimento perturba-me. Abstraio-me dele por momentos e ouço a voz da minha amada. Então, reparo que o teu leito cresce célere. Percebi que o aumento do caudal, era provocado por umas gotas que, tendo nascido nestes olhos tristes, percorreram a minha face e tombavam do meu queixo. Por mim só passam desconhecidos, pois seria incapaz de responder à simples pergunta de um amigo de “Estás bem? O que se passa?”
Este sentimento será guardado no íntimo do meu ser, para, quando do teu leito emergir a pessoa que anseio, eu sinta a alegria na sua plenitude.
Será que fazendo uma peregrinação à tua nascente encontro a felicidade ausente? Que obstáculos me reservas nessa caminhada? Não me respondas! Não quero saber! Temo que o conhecimento dos obstáculos me desmotivem, que as forças escasseiem.
Interrrogo-me se a caminhada para nascente é o caminho certo…
Penso em rumar à foz onde me podia diluir no meio desse imenso mar. Receio o encontro da solidão na nascente.
Durante muito tempo vivi só. Quando acompanhado, a minha carência afectiva não era colmatada. Agora sinto que finalmente encontrei a peça que faltava no meu puzzle, a minha cara metade, a minha alma gémea. Por instantes sonho que gostaria de adivinhar o futuro mas, nesse preciso momento penso que seria infeliz se realmente o adivinhasse.
Porque é que nós procuramos a felicidade plena e não nos contentamos com a pequena percentagem que a vida nos dá, no dia a dia? Que posso eu fazer, a não ser esperar pelo dia em que o nascer do sol vai trazer a notícia tanto esperada?!
Nesse dia, irei despedir-me dele na companhia da minha amada, como retribuição grata ao mensageiro da boa nova.
A ansiedade dessa alvorada é difícil de conter e controlar.
Não existe razão que consiga calar a voz omnispresente do coração.

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